MPOX: o que é e como está afetando a saúde pública
- Labsca
- 25 de out. de 2024
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Nos últimos anos, a MPOX, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, emergiu como uma preocupação significativa para a saúde pública global. Este vírus, pertencente ao gênero Orthopoxvirus e à família Poxviridae, ganhou destaque em 2022, quando houve um aumento repentino de casos fora de sua região endêmica, localizada na África Central e Ocidental.
Desde o surgimento dos primeiros casos fora da África, a MPOX gerou preocupações em relação à sua propagação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto é uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Países em várias partes do mundo, inclusive na Europa e América do Norte, relataram casos, levando autoridades de saúde a intensificarem as campanhas de vacinação e conscientização. Este ano foram registrados e confirmados 14 casos da MPOX em SC.
A MPOX é uma doença viral que, embora relacionada à varíola humana, apresenta um perfil de gravidade geralmente menor. Trata-se de uma doença zoonótica viral, em que a transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com pessoas infectadas, materiais contaminados ou animais silvestres (especialmente roedores) portadores do vírus.
A condição é caracterizada por erupções cutâneas ou lesões na pele (essas lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas, que secam e caem) que geralmente se concentram no rosto, nas palmas das mãos e plantas dos pés. Além desse principal sintoma, ainda podem surgir ínguas (linfonodos inchados), febre, dor de cabeça, dores corporais, calafrios e fraqueza.
O período de incubação do vírus, que é o intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus e o início dos sintomas, é normalmente de 3 a 16 dias, podendo chegar até 21 dias. O período de transmissão se inicia após o aparecimento dos sintomas, como as erupções na pele. Quando as crostas desaparecem, o infectado deixa de transmitir o vírus para as outras pessoas. As erupções na pele geralmente começam dentro de um a três dias após o início da febre, mas, em alguns casos, podem aparecer antes da febre.
O principal método de diagnóstico da MPOX é laboratorial, por teste molecular ou sequenciamento genético. A amostra a ser analisada deve ser coletada, preferencialmente, da secreção das lesões. Quando as lesões já estão secas, o material coletado são as crostas.
A prevenção consiste em evitar o contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Em caso de necessidade de contato, utilize EPIs, como luvas, máscaras, avental e óculos de proteção. Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir imediatamente o isolamento, evitando compartilhar objetos de uso pessoal, tais como roupas, lençóis, escovas de dente, toalhas, talheres e outros até o final do período de transmissão.
Atualmente, o tratamento da MPOX baseia-se em medidas de suporte clínico, com o objetivo de aliviar os sintomas, prevenir e tratar complicações, além de minimizar sequelas.
SILVA, G. A.; OLIVEIRA, R. A. Impacto da MPOX na saúde pública brasileira: uma análise epidemiológica. Jornal Brasileiro de Saúde Pública, v. 42, n. 3, p. 45-58, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o manejo da MPOX. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 22 out. 2024.
VASCONCELOS, P. F. C. et al. Casos de MPOX no Brasil: avaliação dos surtos e medidas de controle. Revista de Saúde Pública, v. 57, p. 87-95, 2024.
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